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8 perguntas respondidas sobre cirurgia do manguito rotador

Data da publicação: 01/03/2019

Uma parcela considerável das pessoas que se queixam de dores no ombro é diagnosticada com problemas no manguito rotador. Muitas vezes, para eliminar as dores e voltar a ter boa qualidade de vida, há a recomendação médica para a realização de cirurgia do manguito rotador.

Estima-se que 20% da população sofra com algum tipo de lesão nessa região do corpo, porcentagem que sobe para 50% entre as pessoas com mais de 80 anos de idade.

A seguir listamos informações importante sobre as principais dúvidas que os pacientes apresentam quando se deparam com esse assunto pela primeira vez. Acompanhe!

1 – O que é o manguito rotador?

Trata-se de um conjunto de quatro tendões e seus respectivos músculos localizado na parte superior do ombro. É o manguito rotador que permite a movimentação e a rotação dos braços, bem como do próprio ombro. Os tendões que integram o manguito rotador são:

  • Supraespinal;
  • Infraespinal;
  • Subescapular;
  • Redondo menor.

2 – Quais são as causa de lesão do manguito rotador?

 Apesar de serem muito importantes e constantemente requisitados, os tendões do manguito rotador não têm grande elasticidade e têm baixa irrigação sanguínea. Por conta disso, ficam mais suscetíveis ao desgaste, principalmente no caso de pessoas que são obrigada a elevar e rotacionar constantemente os braços em razão de suas atividades laborais ou esportivas. São os casos, por exemplo, dos professores – que ao escreverem na lousa precisam elevar o braço acima do nível do ombro – e dos tenistas, ainda que amadores.

Além disso, a idade contribui bastante para o desgaste, a inflamação ou até a ruptura do manguito rotador, independentemente do estilo de vida do paciente. Traumas físicos causados por acidentes também têm potencial para provocar esse tipo de lesão, cuja propensão também é transmitida hereditariamente.

 3 – Quais são os principais sintomas?

 Há alguns sinais clássicos que podem indicar problemas no manguito rotador. O mais comum é a dor na região lateral do ombro, que pode irradiar para o braço. A dor pode ser constante ou surgir somente quando o paciente movimenta o braço ou carrega peso. Via de regra, trata-se de uma dor de característica mecânica, que melhora com repouso e piora durante a realização de movimentos, bem como no período noturno.

Dormir de lado, com o pedo do corpo sobre o ombro lesionado, torna-se impossível por causa da dor. Em alguns casos também ocorre a perda de força no braço e a amplitude dos movimentos acaba ficando comprometida.

4 – Quando a cirurgia do manguito rotador é necessária?

 Há diferentes graus de lesão do manguito rotador. Quando ocorre a ruptura parcial do músculo ou tendão, muitas vezes é possível realizar apenas tratamento fisioterápico associado a exercícios de fortalecimento da musculatura e medicamentos para aliviar as dores.

Contudo, quando esse tipo de tratamento não surte os efeitos desejados, geralmente se faz necessária a chamada cirurgia do manguito rotador. No caso de ruptura total decorrente de trauma, a intervenção cirúrgica é indicada e idealmente não deve demorar mais do que 3 meses.

5 – Quem deve realizar o diagnóstico?

O profissional indicado para identificar lesões no manguito rotador é o médico ortopedista. Durante o exame clínico, ele avaliará a amplitude de movimentos, bem como os níveis de dor e força apresentados pelo paciente.

Também existem vários exames que auxiliam o ortopedista em seu diagnóstico. O mais preciso é a ressonância magnética, pois além de determinar o tamanho da lesão, fornece elementos para traçar o prognóstico. Tanto o ultrassom quanto um simples raio-x podem ser de grande valia na identificação do problema. 

6 – Qual tipo de anestesia é necessária?

A localização da articulação que será manipulada e a posição na qual o paciente precisa ficar durante a cirurgia exigem anestesia geral. É necessária a intubação do paciente e o uso de respirador, o que pode causa rouquidão e pigarro após o procedimento.

Muitas vezes também é realizado, paralelamente, o bloqueio do plexo braquial, anestesia que tem por objetivo minimizar as dores dos pós-operatório. Quando esse tipo de anestesia é utilizada, é comum haver redução da sensibilidade e alteração nos movimentos do braço e da mão durante até 24 horas após o término do procedimento.

7 – Como é a cirurgia?

Pode ser realizada de maneira convencional, por via aberta, ou por videoartroscopia. A cirurgia convencional aberta exige uma incisão de aproximadamente 5cm. Por essa abertura é deslocado o músculo deltóide, são removidos eventuais esporões do osso acrômio e é realizado o reparo do tendão rompido mediante suturas.

Já a cirurgia por videoartroscopia normalmente requer 3 incisões de no máximo 1cm cada. É portanto, menos invasiva e provoca menos dores no pós-operatório. Além disso, tem a vantagem de reduzir os riscos de infecção.

Seu objetivo é o reparo dos tendões do manguito rotador no seu leito original, o úmero proximal. São utilizadas pequenas peças, denominadas âncoras, que fixam o tendão no osso por meio de fios de polietileno e poliéster de alta resistência. As âncoras podem ser fabricadas em titânio, cromo/cobalto, poliéster, peek (espécie de biomaterial) ou materiais osseointegráveis.

8 – Como é o pós-operatório?

Na maioria dos casos, o tempo de internação é de apenas um dia. A cicatrização inicial da região do manguito rotador demora cerca de seis semanas. Durante esse período o paciente deve fazer o uso de tipóia.

No caso de lesões menos graves, já é possível realizar sessões de fisioterapia logo após a cirurgia, no intuito de eliminar eventuais aderências e garantir a amplitude de movimentos da articulação operada. No tratamento de lesões graves, a fisioterapia só deve ter início entre a quarta e a sexta semana depois da cirurgia.

A cicatrização total ocorre em torno de 12 semanas. O ideal, independentemente da gravidade da lesão, é que até a 12ª semana o paciente já tenha recuperado quase totalmente a amplitude de movimentos. A partir daí, o objetivo passa a ser o fortalecimento dos músculos para que o paciente recupere totalmente a força e a funcionalidade do ombro operado. Para a recuperação plena da força, é necessário que ocorra a cicatrização no úmero. 

Em geral, o  processo de cicatrização está concluído em até 12 semana após a cirurgia. Esse prazo, contudo, pode ser maior ou menor de acordo com a idade do paciente, o tamanho da ruptura, a qualidade e a nutrição do tendão. Além disso, uma reabilitação adequada também é essencial.

 

 

 

 

Graduado em Medicina pela Universidade Severino Sombra (2007), Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Madre Teresa (2011), Especialização em Cirurgia do Ombro e Cotovelo pelo Hospital Madre Teresa (2012). Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (2012), Membro da Sociedade Brasileira de Ombro e Cotovelo (2013). Membro da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (2016). Cirurgião do Ombro e Cotovelo dos Hospitais: Vila da Serra, Unimed BH Contorno, Ipsemg. Preceptor das residências médicas dos Hospitais: Unimed BH e Ipsemg. Mestrando em Cirurgia pela UFMG (2018)

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