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Anticoncepção na adolescência

Existem várias razões para se preocupar com a anticoncepção entre os adolescentes. Muitas estão ligadas às mudanças sociais pelas quais passamos nos dias de hoje. Dentre aquelas tradicionais e bem conhecidas, vale lembrar o excesso de estímulos externos que contribuem para um desenvolvimento puberal cada vez mais precoce. Eles fazem com que adolescentes se tornem férteis mais cedo e por mais tempo durante suas vidas.

A prática do “ficar” entre os jovens, muitas vezes de forma competitiva e em série, é um comportamento que há algum tempo se limitava a um contato físico mais discreto, mas que hoje pode significar manter relações sexuais, possivelmente sem proteção adequada.

Embora sempre comentados, os sentimentos de onipotência e invulnerabilidade e as pressões dos grupos sociais não devem ser esquecidos, umas vez que são características presentes na adolescência e que permanecem, apesar das mudanças comportamentais da sociedade.

Recentemente, uma pesquisa realizada pela UNESCO avaliou 16.422 jovens, 4.532 pais e 3.099 professores em 14 capitais de todas as regiões do país. O trabalho levantou razões que merecem uma reflexão mais profunda: pouca ou nenhuma presença de programas de educação sexual nas escolas; aconselhamento sexual baseado em tabus ou preconceitos religiosos e distanciados da realidade dos jovens; resistência dos pais em dialogar sobre sexualidade; falta de informações sobre a regulação da fecundidade; pouco ou nenhum acesso aos métodos anticoncepcionais e falta de conhecimento dos jovens sobre si mesmos e sobre o mundo que os cerca.

O início da atividade sexual também acontece de forma prematura e geralmente com proteção anticoncepcional irregular, incorreta ou ausente. A pesquisa mostra a seguinte realidade brasileira: a primeira relação sexual dos meninos acontece entre os 14,5 anos e entre os 15,5 anos para as meninas; os métodos anticoncepcionais utilizados são a camisinha (61% dos casos) e a pílula (24% dos casos), mas 11% dos entrevistados nunca utilizou nenhum método e 1 em cada 10 estudantes engravida antes dos 15 anos.

Frequentemente, o médico sente-se inseguro e vulnerável ao abordar e orientar uma adolescente em relação à anticoncepção, especialmente quando ela  tem menos de 18 anos (desde 2003, a maioridade civil é a partir dos 18 anos) e mantém sua vida sexual sem ciência dos pais.

Seguindo determinações da Organização Mundial de Saúde, os adolescentes (como indivíduos saudáveis) podem fazer uso de qualquer método anticoncepcional, desde que sejam respeitados os fatores sociais, familiares e comportamentais avaliados de uma maneira individualizada. A idade por si só não constitui razão médica para a negação de qualquer método anticoncepcional, apesar dos mesmos critérios de elegibilidade serem válidos para pacientes adolescentes e adultas.O documento “Diretrizes: Contracepção, Adolescência e Ética”, definido pela FEBRASGO e pela SBP, não apenas afirma que a prescrição de método anticonceptivo para a adolescente não fere nenhum princípio ético ou legal, como também garante à jovem o direito da prescrição do método de anticonceptivo, independentemente da idade.

O uso e tipo de método contraceptivo deve ser definido sob o ponto de vista médico, mas outros fatores também devem ser considerados no momento da escolha:

  • Aceitação e motivação: esse é um método que a paciente usará regularmente?

  • Eficácia do método: esse método protege contra a gravidez em coito não planejado, muito comum nessa faixa etária?

  • Número de parceiros/DST e custo/acesso a serviços de saúde: a paciente terá condições financeiras de manter o método a longo tempo?

  • Motivação/auto disciplina da paciente e do parceiro: a relutância em interromper as carícias pode resultar em má utilização do método? São casados ou não?

  • Segurança/risco: o uso por pouco tempo resultará em desvantagens por um longo tempo?

  • Aspectos pessoais, familiares, religiosos, éticos e filosóficos: essas questões influenciarão o uso do método?

Do ponto de vista médico, o método anticoncepcional ideal para adolescentes é aquele que apresenta alta eficácia, é seguro, tem poucos efeitos adversos, só apresenta ação anticoncepcional enquanto utilizado e é de uso discreto. Independentemente da escolha do método, é consenso o conceito de dupla proteção, ou seja, o uso concomitante da camisinha, masculina ou feminina, para proteção adicional às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

Já a mídia, em suas diversas formas e  com a força que possui, poderia contribuir para uma maior conscientização, ajudando a prevenir a gravidez não planejada.

Autor: Dr. João Tadeu Leite dos Reis, membro da equipe de ginecologia e obstetrícia do HVS.

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  • Fernando

    Dr, gostaria de saber se de alguma forma existe a probabilidade de que um bebê nascido de 7 meses, tenha maiores chances de sobrevivência do que um (bebê) de 8 meses? Será que há este dado, mesmo que sem comprovação científica? ou é só boato, talvez possa ser verdade sem pesquisa?

    • admin

      Olá Fernando, agradecemos o contato.
      Dê maneira geral, a chance de sobrevivência do recém nascido prematuro e diretamente relacionado à idade gestacional, ou seja, quanto maior a idade gestacional, maior a sua chance de sobrevivência. No entanto a presença de outros intercorrências tais como a má formação, crescimento ultra e intra uterino alterado, infecções pré e pós-natal e entre outras complicações comuns no recém nascido pré-termo, pode sobrepor a idade gestacional e influênciar a probabilidade da sobrevivência do bebê.

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