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A importância da prevenção das doenças cardiovasculares

Dr. Jaime Oliveira Aguiar, membro da equipe de cardiologia intervencionista do Hospital Vila da Serra

Os humanos conviveram e evoluíram em condições de pestilência e fome durante a maior parte da história da qual temos registro. Antes de 1900, as doenças infecciosas e a desnutrição constituíam as causas mais comuns de morte em quase todo o mundo. Estas condições, juntamente com as altas taxas de mortalidade de lactentes e crianças, resultaram numa expectativa média de vida de aproximadamente 30 anos. Entretanto, graças à imensa melhoria nas condições nutricionais e às medidas de saúde pública, as doenças transmissíveis e a desnutrição diminuíram e, consequentemente, a expectativa de vida aumentou consideravelmente.doenças cardiovasculares

Hoje, o aumento da longevidade, o impacto do tabagismo e das dietas ricas em gorduras e diversos outros fatores de risco combinam-se para tornar a doença cardiovascular (DCV) e o câncer as principais causas de morte na maioria dos países.

Durante a última década, a DCV foi a campeã mundial de mortes. Estima-se que ela tenha causado 17 milhões de mortes e 151 milhões de DALY (disability-adjusted life year) em 2004. O DALY é um método de medição originalmente desenvolvido pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que combina a taxa de mortalidade com a taxa de morbidez. Desta forma, ele representa a soma dos anos vividos com alguma doença ou incapacidade com os anos de vida potencialmente perdidos por causa de uma morte prematura. No caso da doença cardiovascular, ela correspondeu a aproximadamente 30% de todas as mortes e 14% de todos os DALYs perdidos em 2004.

Assim como ocorreu em muitos países de alta renda durante o último século, os países de baixa e média renda vêm observando um aumento alarmante nos índices de DCV, sendo que essa alteração está se acelerando. Em 2001, 75% das mortes em todo o mundo e 82% dos DALYs perdidos foram causados por doença cardíaca coronariana (DCC) e ocorreram em países de baixa e média renda.

No ano de 2020, a população mundial atingirá 7,8 bilhões e 32% de todas as mortes serão causadas pela doença cardiovascular. Em 2030, quando é esperada uma população de 8,2 bilhões, esse número deverá subir para 33%. Para 2030, a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a DCV será responsável por 24,2 milhões de mortes no mundo, com a doença cardíaca coronariana representando 14,9% dessas mortes entre os homens e 13,1% entre as mulheres. Já o Acidente Vascular Encefálico (AVE) será responsável por 10,4% das mortes  masculinas  e 11,8% das femininas.

Atualmente, a América do Sul enfrenta três grandes alterações demográficas que impactam de forma considerável na DCV: o crescimento populacional, a urbanização e o envelhecimento.

O estudo Global Burden of Disease (GBD) da OMS, estimou que 28% de todas as mortes ocorridas no continente em 2004 foram causadas pela doença. No Brasil, país mais populoso da América Latina, com 50% da população total, a taxa foi de 28,2% em 2005, sendo que o acidente vascular encefálico (AVE) foi a primeira causa de morte, seguido pelo Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).

Informações obtidas a partir do banco de dados da OMS demonstram que os principais fatores de riscos – obesidade abdominal, diabetes mellitus, dislipidemia, estresse, depressão, hipertensão arterial, tabagismo e sedentarismo – estão claramente associados ao desenvolvimento de DCV, o que consequentemente leva à maior ocorrência de AVE e IAM.

doenças cardiovasculares como prevenirO estudo Prevenção, conduzido no Brasil e coordenado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) entre 2006 e 2007, avaliou o conhecimento da população brasileira quanto aos fatores de risco para DCV. Interessantemente, o tabagismo foi o principal fator relacionado à DCV (31%), seguido por estresse/depressão (23%), hipertensão arterial (18%), dislipidemia (10%), diabetes mellitus (5%) e causa desconhecida (19%). Estes resultados confirmam o baixo índice de conhecimento dos brasileiros e demonstram que quase 70% da população não relaciona tabagismo com DCV. Essa porcentagem sobe para 82%, 90% e 95%, respectivamente, para aqueles que não a correlacionam com a hipertensão arterial, a dislipidemia e o diabetes mellitus.

Diante destes dados, não é difícil concluir que, no Brasil, a taxa de DCV deve aumentar drasticamente nos próximos anos, trazendo impacto negativo substancial tanto na taxa de mortalidade quanto na taxa de invalidez e  comprometendo os recursos de saúde. Para evitar que este quadro não se torne realidade, tornam-se fundamentais: o conhecimento dos fatores de risco pela população, a divulgação de hábitos saudáveis, as políticas de saúde públicas voltadas para prevenção da DCV, e o diagnóstico e tratamento precoce dos fatores de risco.

Bibliografia
1- Livro texto da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Capítulo I;2012.
2- Braunwald, Tratado de doenças cardiovasculares, capítulo I, 9ª edição,2013.
3- Brasil; Ministério da Saúde. DATASUS – informações em saúde. Estatísticas vitais-mortalidade e nascidos vivos. Disponível em www.datasus.gov.br.
4- Organização Mundial da Saúde(OMS). Disponível em www.who.int/countries.

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