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Mitos & Verdades sobre a Reprodução Humana

Dr. Marco Melo, diretor científico da Clínica Vilara

Acredito que os mitos sobre a reprodução humana surjam devido à grande ansiedade e, em parte, ao desconhecimento dos casais, uma vez que se encontram ansiosos. Eles buscam uma resposta rápida, ou até mesmo uma solução mágica para um problema que é real, incomoda muito, mas não provoca dor, febre ou nenhum outro sintoma.

Pensando nisso, apresento agora os 10 maiores mitos em reprodução humana ou, pelo menos, aqueles que escutamos com frequência durante a consulta ou numa conversa informal.

 

MITOS

Relação sexual no dia da ovulação é igual à bebê do sexo masculino. Já relação sexual no dia anterior da ovulação é igual à bebê do sexo feminino.

Mito! Esse conceito equivocado deve-se ao descobrimento de que o espermatozoide que contém o cromossoma X (que determinará o sexo do bebê feminino) seja mais lento, mas com uma vida mais longa, quando comparado com o espermatozoide que contém o cromossoma Y (determinante do sexo masculino). Assim, acredita-se erroneamente que quando a relação ocorre no dia da ovulação, o espermatozoide com o Y chega primeiro para fertilizar o óvulo.  Caso a relação aconteça no dia anterior, eles já estão mortos no momento da ovulação, restando apenas aqueles que contêm o cromossoma X. Na prática, a coisa não funciona assim!

Síndrome dos Ovários Policísticos (Polimicrocísticos) é igual à infertilidade.

Mito! Sabe-se que até 25% (1 em cada 4) das mulheres apresentam os ovários com aspecto polimicrocístico em exames de ultrassonografia, embora não apresentem a síndrome. Além do mais, nem todas as mulheres com ovários policísticos são anovulatórias (não ovulam). Entre aquelas que apresentam a síndrome, a maioria apresenta ciclos ovulatórios de forma esporádica. Nesses meses, as chances de engravidar são as mesmas daquelas mulheres que ovulam regularmente.

Relação sexual no dia da ovulação é igual à gravidez.

Mito! As possibilidades de se alcançar uma gestação a cada tentativa (mês) chega a no máximo 20%, dependendo da faixa etária, é claro. Quanto maior for a idade, menores as possibilidades

O orgasmo feminino aumenta a chance de engravidar

Mito! que surgiu devido ao fato fisiológico de que, no momento do orgasmo, o útero se contrai e relaxa, provocando uma pressão negativa que facilitaria a ascensão dos espermatozoides.

O uso da pílula contraceptiva por muitos anos pode causar infertilidade.

Mito! É um mito. O que acontece, na maioria das vezes, é que o uso da pílula mascara um problema nos ovários (dificuldade de ovulação, por exemplo), que só será descoberto após sua suspensão. Geralmente, esses problemas se manifestariam com a irregularidade da menstruação, sinal que não pode ser identificado quando a mulher está em uso da pílula.

Quanto maior o número de relações sexuais, maiores as chances de engravidar.

Mito! O importante é que se mantenha relação sexual no período fértil, isto é, próximo da ovulação. Também o inverso não é verdadeiro. “Acumular por muitos dias”, ou longo período sem relações sexuais e, após este período, manter relação. Isso não funciona! Tanto o excesso como a falta de abstinência sexual podem afetar negativamente a qualidade dos espermatozoides, diminuindo as chances de gestação.

Útero retrovertido (“útero invertido”) reduz as chances de gravidez.

Mito! Sabe-se que cerca de 5% das mulheres apresentam o útero retrovertido e não são necessariamente inférteis. Ele deve ser visto como uma característica natural da mulher e não uma anormalidade.

Alimentos afrodisíacos, como ovo de codorna e amendoim, aumentam a fertilidade.

Mito! A sexualidade e a libido não têm relação nenhuma com a fertilidade.

Uso frequente da “pílula do dia seguinte” interfere na fertilidade feminina.

Mito! O seu uso frequente não afeta a fertilidade, mas pode provocar uma “quebra do ritmo hormonal” da mulher, dificultando saber quando ela está no seu período fértil. Dessa forma, nunca deverá ser usada de modo rotineiro.

Um aborto espontâneo reduz as chances da mulher engravidar novamente.

Mito! Toda mulher grávida apresenta cerca de 20% de risco de abortar, mas o risco pode ser um sinal de que algo está errado.  Por isso, a sua causa deve ser investigada. Quando isso acontece espontaneamente com menos de 12 semanas, o principal motivo é o defeito genético do embrião. Porém, se houver três ou mais abortos espontâneos, o casal deve ser minuciosamente avaliado.

No caso das verdades, elas são muitas, mas nem sempre as que gostaríamos de ouvir. Entretanto, elas existem, são reais!

Apresento então, as maiores verdades que devem ser levadas em consideração por médicos e pacientes.

 

VERDADES

A idade da mulher é o maior fator de prognóstico para se conseguir uma gravidez.

Verdade! A idade da mulher é o fator mais importante a ser considerado quando se decide calcular as possibilidades de gravidez de um casal. A idade afeta não somente a quantidade de óvulos, mas também a sua qualidade, Se a incidência de infertilidade feminina gira em torno de 12% antes dos 35 anos, ela aumenta para 35%, após 40 anos.

Desequilíbrios nutricionais associam-se à redução da fertilidade.

Verdade! A dificuldade de se obter uma gravidez acomete os dois extremos. Tanto as mulheres com baixo índice de massa corporal (IMC), anoréxicas ou as atletas de alta performance, por exemplo, como as de alto IMC (obesas) podem apresentar desequilíbrios hormonais que afetam o ciclo ovulatório. Em casos extremos é possível até que haja um desaparecimento da menstruação.

Um ano de tentativas sem gravidez é indicativo da necessidade de se procurar um especialista

Verdade! Esse intervalo de tempo é o clássico para que se considere o casal com dificuldades de conseguir uma gravidez. Atualmente, recomendamos maior rapidez com os casais nos quais as mulheres apresentem mais de 35 anos de idade. Para eles, aconselhamos que busquem ajuda após 6 meses de tentativas sem sucesso.

Quimioterapia e radioterapia podem interferir de maneira transitória ou definitiva a produção dos gametas masculinos e femininos.

Verdade! Esses tratamentos podem provocar uma lesão definitiva nas células que originam tanto os espermatozóides como os óvulos. Acreditamos que esses pacientes devam ser sempre informados sobre esse risco.

Reprodução Assistida regida por regulamentação do Conselho Federal de Medicina.

Verdade! Embora não existam leis para sua regulamentação no Brasil, o Conselho Federal de Medicina publicou recentemente a Resolução CFM 1957/ 2010, com o objetivo de pautar as normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida a serem seguidas pelos médicos especialistas em reprodução humana.

A infertilidade afeta em igual proporção homens e mulheres.

Verdade! Acredita-se que cerca de 40% das causas de infertilidade se devam a uma causa feminina, 40% a uma causa masculina, 10% a um fator misto (um problema na mulher associado a um problema no homem) e outros 10% a um fator desconhecido (infertilidade sem causa aparente).

É possível preservar a fertilidade tanto de homens como de mulheres.

Verdade! Tanto homens que serão submetidos a tratamentos que possam destruir a produção de espermatozóides, ou mesmo aqueles que realizaram a vasectomia, assim como mulheres que possam ter diminuição ou esgotamento da sua reserva ovariana, quer seja por tratamento quimioterápico, radioterápico ou cirúrgico, poderão preservar sua fertilidade por meio do congelamento de seus gametas. Nas mulheres, o aconselhável é que procurem esse procedimento preferencialmente antes dos 35 anos de idade.

Hábitos de vida podem afetar negativamente a fertilidade.

Verdade! Maus hábitos de vida podem afetar tanto a fertilidade masculina como a feminina. Sabe-se que o consumo de café e álcool em excesso, cigarro e drogas podem reduzir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides e óvulos. A obesidade também está associada a uma maior incidência de infertilidade nos dois sexos.

Endometriose pode estar associada a infertilidade.

Verdade! A endometriose pode provocar aderências pélvicas e obstrução nas trompas, causando a impossibilidade da captação do óvulo pelas trompas e, consequentemente, inviabilizando a sua fertilização pelo espermatozóide. Em casos mais avançados, a endometriose pode afetar não só a qualidade dos óvulos, mas também a sua quantidade, comprometendo ainda mais as possibilidades de se obter uma gestação.

É possível estimular os ovários de uma mulher com câncer e não piorar o seu prognóstico.

Verdade! Hoje dispomos de protocolos de estimulação ovariana que se mostraram seguros, rígidos e eficazes nesse grupo de mulheres. O tratamento tem uma duração de aproximadamente 10 a 12 dias, o que possivelmente não afetará o tratamento oncológico.

Para mais informações e esclarecimentos, entre em contato com a Clínica de Reprodução Assistida do HVS, Clínica Vilara, através do e-mail: contato@clinicavilara.com.br ou acesse www.clinicavilara.com.br.

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