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Procedimentos buscam garantir a segurança perioperatória

Segurança Perioperatória

Diante do crescente número de cirurgias realizadas anualmente em todo o mundo –  estudos desenvolvidos nos Estados Unidos em 2008 estimam que são feitos por ano 230 milhões de procedimentos, – a Organização Mundial de Saúde estabeleceu a segurança cirúrgica como prioridade em termos de saúde pública. O objetivo é salvaguardar o paciente durante o atendimento perioperatório, uma vez que o paciente cirúrgico faz parte do grupo de alto risco envolvendo eventos adversos durante a assistência médico-hospitalar. Pelos estudos americanos, cerca de 600 mil a 1,5 milhão de pessoas morrem devido a esses eventos adversos (erros).

A sala cirúrgica é um ambiente complexo, com vários fatores interagindo entre si, como a doença do paciente, o procedimento cirúrgico, os equipamentos, as equipes de diferentes níveis de conhecimento e formação e a possibilidade do erro humano. “Todas as etapas devem ser rigorosamente checadas para reforçar a segurança e evitar possíveis erros”, destaca o coordenador do serviço de Anestesiologia do Hospital Vila da Serra, Dr. Márcio Craveiro.

Segundo ele, reconhecer que os erros acontecem é o primeiro passo para que os serviços de saúde possam ter maior controle sobre os eventos adversos. Em seguida, é preciso criar um sistema de registro e análise dessas irregularidades, de forma a aumentar a segurança cirúrgica. “Agindo dessa forma, podemos conhecer melhor e corrigir as falhas do sistema de atendimento”, destaca.

Especificamente sobre a sua área, o médico ressalta que a anestesia não é indicada somente para a realização de cirurgias. “Prestamos também assistência a pacientes que se submetem a exames propedêuticos, curativos e àqueles que estão com dor crônica – no caso do paciente oncológico -, ou que são portadores de patologias crônicas incapacitantes”, informa. Nesse sentido, há um check-list padrão básico para todos os procedimentos. Nele, verifica-se o funcionamento de todos os equipamentos de anestesia, o material de ventilação, os aspiradores, os monitores, bem como as drogas necessárias para o ato anestésico. “Dependendo da complexidade do procedimento, agregamos outros itens, como as bombas de infusão de drogas e monitores mais específicos, que possuem rotina de segurança próprios”, acrescenta.

No caso do Vila da Serra, procura-se também avaliar, de forma individualizada, cada paciente, considerando suas condições clínicas, as patologias associadas – hipertensão arterial, diabetes, problemas tireoidianos, alergias, uso de drogas lícitas ou não, cirurgias prévias -, além de eventuais problemas familiares relacionados à cirurgia. O hospital ainda possui um atendimento ambulatorial pré-anestésico no qual o paciente passa por uma entrevista e uma avaliação clínica, seguida da análise de exames laboratoriais. “Somente então fazemos o planejamento anestésico, quando explicamos ao paciente o que será feito e obtemos dele seu consentimento formal. Assim, buscamos minimizar a possibilidade de intercorrências”, afirma Craveiro.

Para o coordenador, há uma analogia entre a anestesiologia e a aviação: ambas requerem atenção, acurácia, treinamento, tirocínio, rotinas e a capacidade de atuação em situações de crise. Devemos estar atentos sempre, uma vez que todos nós somos falíveis”, conclui.

Dr. Márcio Craveiro, chefe da clínica de anestesia do HVS.

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