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Jaleco: O grande vilão?

Motivo de grande polêmica, a proibição  do uso de jalecos e aventais de profissionais  de saúde em ambientes extra-hospitalares foi votada e aprovada pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte. Cabe ressaltar que, embora a lei tenha sido sancionada pelo prefeito Márcio Lacerda, foram vetados  os artigos que tratam de multas e punições aos profissionais  da saúde.

A principal argumentação a favor é a de que essas vestimentas poderiam propagar bactérias hospitalares em locais públicos como bares, lanchonetes e restaurantes, colocando em risco a saúde da população. Embora  haja opiniões divergentes  entre os especialistas, há uma tendência a se considerar obsoleta e ineficiente a referida lei.

Algumas das justificativas são:

  • É real o fato de que o vestuário médico pode abrigar germes hospitalares, eventualmente multirresistentes, por um período variável de tempo.  Entretanto, não há qualquer publicação científica metodologicamente relevante, relacionando a dispersão extra-hospitalar desses germes e o adoecimento de grupos de pessoas na comunidade;
  • Na verdade, praticamente não há dados científicos que incriminem as roupas dos profissionais de saúde como fonte de surtos de infecções hospitalares. Além disso, a proibição apenas de jalecos e aventais seria medida insuficiente, visto que a lei não estende a proibição para a circulação com calças, camisas, jaquetas, sapatos e demais indumentárias do vestuário médico, os quais também podem, com a mesma eficiência, albergar germes hospitalares.
  • Finalmente, o foco em tal proibição acaba por minimizar as atenções sobre outras atividades que trazem maior risco para transferência interpessoal de micro-organismos patogênicos, como a higienização adequada das mãos, por exemplo.

Provavelmente, o principal benefício da lei não será uma maior segurança da população, mas sim, tornar os ambientes extra-hospitalares de encontro e recreação da sociedade visualmente menos poluídos, tornando-os mais agradáveis para o convívio social.

Autor: Dr. Estevão Urbano, coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HVS.

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