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Obesidade mórbida X Qualidade de vida

Dr. Luiz Gonzaga Torres Júnior, cirurgião do aparelho digestório membro da equipe de cirurgia geral do HVS

A obesidade é um grande problema de saúde pública. Sua frequência apresenta níveis crescentes e alarmantes no mundo todo, inclusive no Brasil. Seja como causa ou consequência, a doença está associada a vários outros problemas de saúde, incluindo a hipertensão arterial, o diabetes, o distúrbio do sono, os problemas ortopédicos, psicológicos, entre outros.

Tudo isso pode resultar na diminuição da qualidade e da expectativa de vida das pessoas. Sabe-se hoje, que pessoas obesas aos 40 anos de idade viverão sete anos a menos do que aquelas não obesas.

A cirurgia de redução de estômago aparece como opção quando ocorre insucesso no tratamento clínico de pacientes obesos mórbidos, ou seja, naqueles com índice de massa corporal (IMC) maior que 40 ou maior que 35 (caso existam outras doenças associadas). Os resultados obtidos, com o tratamento cirúrgico, são muito satisfatórios, ocorrendo perda de peso de forma progressiva nos primeiros meses após o procedimento e com tendência à estabilização ao longo dos anos. Deve-se, entretanto, considerar a necessidade da manutenção do acompanhamento médico para que não aconteça o reganho de peso.O tratamento clínico como a mudança nos hábitos alimentares e de vida, associadas ao acompanhamento profissional especializado e multidisciplinar, (endocrinologista, nutricionista, etc) é a primeira opção na busca da recuperação de um corpo saudável. Já a dedicação e a persistência são fundamentais para se alcançar o sucesso esperado.

Os procedimentos cirúrgicos mais realizados no Brasil e no mundo são o Bypass (Fobbi-Capella) e o Sleeve, também conhecido como gastrectomia vertical, que apresenta resultados semelhantes a curto, médio e longo prazos. Talvez a grande diferença entre esses dois procedimentos baseia-se no fato de que a Sleeve é um procedimento cirúrgico menos complexo, pois não é necessária a redução da área de absorção de alimentos no trato gastrointestinal.

Ambos procedimentos podem ser realizados por acesso videolaparoscópico, que apresenta menores taxas de complicações pós-operatórias – sejam elas abdominais ou respiratórias – e uma recuperação pós-operatória mais rápida e menos dolorida.

Os resultados esperados com a cirurgia são animadores. A perda do excesso de peso é notada desde o início, atingindo cerca de 50% a 75% do excedente. Além disso, há resolução ou melhora de doenças associadas como o diabetes, a hipertensão arterial e as dores articulares. Estudos mostram que a perda de peso e a melhora das doenças associadas traduz numa queda de 40% no risco de morte por todas as causas, de 92% do risco de morte por diabetes, de 56% por doença coronariana e de 60% por câncer.

O ganho em qualidade de vida também é comprovado. Há melhoras na autoestima, na performance profissional, nas relações sociais e em atividades corriqueiras, como amarrar os sapatos. Essas pequenas ações podem tornar-se um transtorno na vida daqueles que sofrem de  obesidade mórbida.

O acompanhamento multidisciplinar – realizado por uma equipe especializada – é fundamental desde o princípio do tratamento. Ele visa a otimização e a manutenção dos benefícios que podem ser alcançados através do procedimento cirúrgico.Devido aos constantes avanços no controle das comorbidades de pacientes obesos e à melhora das técnicas anestésicas e cirúrgicas, observam-se taxas decrescentes nas complicações pós-cirúrgicas imediatas e tardias. Entretanto, é importante ter cautela na indicação do procedimento, uma vez que a operação apresenta riscos de complicações imediatas (até mesmo morte) e chances de levar a quadros de desnutrição a longo prazo.

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