Os riscos do cigarro para a gestação

Data da publicação: 15/02/2013 Autor: hollo

Fumar não afeta somente a sua saúde, mas principalmente a do seu filho.

Não é novidade que o cigarro prejudica a saúde de quem fuma e de quem está ao redor, o chamado fumante passivo. Sabemos que os componentes químicos presentes na sua fumaça estão associados à maior risco de câncer, de problemas respiratórios, de infarto do coração e de acidente vascular cerebral. Há cerca de três anos, publiquei na revista “Current Opinion in Obstetrics and Gynecology” uma compilação da literatura sobre os efeitos negativos do cigarro sobre a função reprodutiva tanto masculina como feminina. Dentre inúmeros problemas, estão a maior incidência de infertilidade e a antecipação da menopausa.

Recentemente, publiquei na revista “Expert Review in Obstetrics and Gynecology” uma revisão da literatura médica sobre os efeitos nocivos do cigarro sobre os bebês de mães fumantes. Sabe-se que o tabagismo durante a gestação está relacionado a um maior risco de insuficiência placentária e a problemas de crescimento fetal. Entretanto, os efeitos nocivos do tabaco sobre as crianças nascidas de pais tabagistas são pouco divulgados. Confira a  lista dos principais efeitos nocivos do cigarro sobre bebês de mães e/ou pais fumantes:

  • Defeitos congênitos: Um estudo envolvendo 173.687 casos de bebês malformados revelou que o hábito de fumar durante a gravidez aumenta o risco da ocorrência de uma série de malformações, como defeitos cardiovasculares, defeitos do sistema gastrointestinal e defeitos ósseos. A literatura médica sugere que há uma redução da vascularização dos tecidos fetais em formação/desenvolvimento provocada principalmente pela nicotina e seus derivados.
  •  Obesidade na criança de idade pré-escolar: Vários autores evidenciaram uma tendência maior à obesidade em crianças de mães que fumaram durante suas gestações. A incidência chega a ser quase 50% maior. O possível mecanismo proposto é interessante. Ao sofrer a privação de nutrientes durante a gestação, uma vez que o tabagismo reduz a passagem de sangue pela placenta, as crianças seriam programadas a desenvolver mecanismos de “acúmulo de energia” também após o nascimento. Dessa forma, seriam mais predispostas ao desenvolvimento de obesidade e o diabet
    es tipo 2 na idade adulta.
  • Problemas comportamentais e neurológicos: O hábito de fumar durante a gestação também se associa a uma maior incidência de crianças com problemas de comportamento, tais como a irritabilidade, a falta de atenção, a diminuição da resposta a estímulos auditivos e problemas de desenvolvimento da fala. Esses distúrbios podem ser percebidos não somente durante a infância, mas também durante a idade adulta.
  • Risco de câncer infantil: Sabe-se que o hábito de fumar aumenta o risco de câncer e que cerca de 30% de todos os casos estão relacionados ao seu uso. A evidência dessa relação é ainda maior em crianças e o fato mais inusitado é que, embora o consumo do cigarro pelas mães seja o foco da maioria das pesquisas, recentes estudos mostram que essa correlação é somente positiva no consumo do cigarro pelo homem (pai). O mecanismo preciso ainda está obscuro, mas parece que esteja ligado a um feito deletério sobre o DNA dos espermatozoides ou a um tabagismo passivo das mães, isto é, embora elas não sejam fumantes, elas inalam as substâncias tóxicas do cigarro que afetam os fetos.

 Mais informações Clínica Vilara: (31)3228-8233 ou www.clinicavilara.com.br.

Dr. Marco Melo,

Diretor Científico da Clínica Vilara

 

 

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